Valdemar Iódice

Grife com personalidade forte

 

Apesar de já exportar peças para o Japão há dois anos, a Iódice, de fato, deu início ao seu processo de internacionalização muito recentemente, com a inauguração da Iódice USA, cujo showroom está situado no descoladíssimo bairro do Soho, em Nova York. “Exportamos para a nossa empresa e de lá é feita a distribuição das peças para as butiques da cidade. Esse formato de negócio permite que nós tenhamos o controle de só vender as roupas em lojas que realmente atendam o nosso público-alvo. Eu não estou lá fora para fazer volume de venda, mas para posicionar a Iódice da mesma maneira que ela está posicionada no Brasil: voltada para pessoas sofisticadas, modernas e sensuais.”
Na hora de apresentar a empresa aos compradores de moda de Nova York, Iódice optou por divulgar também o Brasil. Os clientes recebem uma caixa estilizada, com fotografias de alguns desfiles da grife, além de um portifólio com o histórico da marca. O toque brasileiro aparece em dez fitinhas do Senhor do Bonfim, acompanhadas de uma explicação sobre essa famosa crendice popular do povo baiano. Além de representar algo tipicamente brasileiro, Iódice também explica a escolha das fitinhas por conta das cores vibrantes e da leveza de seu tecido… “características que, comprovadamente, caem no gosto dos norte-americanos.”
As fitinhas fizeram tanto sucesso na primeira feira internacional de moda da qual a marca participou, a Cotery, realizada em Nova York, em setembro, que reforçaram ainda mais a fé de Iódice em promover o Brasil e as coisas positivas do nosso País: “Faço questão de mostrar que os produtos da Iódice são brasileiros e sempre costuro no cós de todas as calças, por exemplo, a nossa bandeira. O Brasil está sendo descoberto lá fora e as pessoas se interessam muito pela nossa moda.”

Desfiles e superproduções
A grife Iódice ainda não realizou nenhum desfile internacional e, por enquanto, não existe a intenção de fazê-lo. “Quero primeiro sentir o mercado, posicionar minha marca e distribuir os produtos. Sei que esse é um trabalho de médio e longo prazos, mas quando fizer o meu desfile lá fora, vocês podem esperar que será algo em grande estilo!”
No Brasil, contudo, a Iódice já participou de 13 edições do São Paulo Fashion Week e ao longo de todos esses anos os desfiles da grife só fizeram aumentar o reconhecimento e a admiração da imprensa especializada, tamanha é a quantidade de detalhes presentes na “performance-espetáculo” da marca. De acordo com o tema de cada coleção, é o próprio estilista quem escolhe as modelos e determina suas atitudes na passarela, desde expressões até o modo de andar. Da mesma forma, Iódice também participa intensamente do planejamento da iluminação e da trilha sonora. “Todos estes aspectos estão interligados. Existe um envolvimento total e eles devem estar em sintonia para o sucesso do resultado final.”
No último desfile da grife, em que foi exibida a coleção verão 2003, os símbolos astrológicos usados nas estampas, bordados e aplicações foram uma grande fonte de inspiração. O estilista também trabalhou bastante conceitos opostos, como suave e áspero, curto e longo, brilhante e opaco. A maior parte das peças tons de amarelo e azul.

Criação
Iódice conta que sua grande preocupação ao desenvolver uma nova coleção é inovar, para que as pessoas jamais tenham a impressão de que a marca envelheceu. “É uma questão de dedicação, mas, quando chega o momento, você acaba encontrando o caminho. Basta procurar a solução a todo momento, sem uma fórmula determinada. Uma vez, estava em Paris durante o outono e havia muitas folhas caídas nas ruas. Elas tinham uma cor de ‘queimado’, que me chamou muito atenção. Trouxe uma folha para o Brasil e desenvolvi toda uma cartela de cores a partir dela.”
Experiência parecida ocorreu em outra viagem, desta vez para Barcelona, na Espanha. “Visitei as obras de Gaudi e fiquei tão encantado que decidi desenvolver uma coleção inspirada nelas.” Aproveitando-se do tema, o catálogo da coleção de inverno de 1997, foi fotografado ‘in loco’ com os modelos Paulo Zulu e Isabela Fiorentino.
Para Iódice, o desafio da criação é manter a personalidade da marca e é para preservá-la que ele se envolve pessoalmente em todas as etapas, da criação à produção. “Se o tema escolhido for um cangaceiro, eu tenho que criar um cangaceiro chique. É assim que preservo minha marca e conquisto o público.”
Uma tendência que tem se tornado parte da marca são os grafismos. Eles apareceram a primeira vez na passarela, no desfile “Glamour dos anos 40 até os dias de hoje” da coleção verão 2000/2001. “Comecei fazendo desenhos gráficos na estamparia e hoje eles estão em todas as linhas. Partindo dos grafismos, eu consigo chegar no que acredito que seja a proposta da Iódice, que são peças chiques.”
Além disso, os grafismos de acordo com o estilista, caem bem em tecidos que, normalmente, ele prefere usar, como a seda e o georgete. “A combinação tecido/recortes/ aplicações de grafismos é perfeita e se encaixa no nosso estilo.”



 
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