André Sá

O Curinga das Quadras

Dali em diante, a ascensão de André Sá foi bastante rápida. “Tive um pouco de sorte de ter subido dessa forma no ranking. Me dei bem muito cedo, ganhei vários torneios e circuitos. Logo no primeiro ano, em 1997, já estava entre os 160 primeiros e isso é raro, não acontece com todos os jogadores”. Desde então, o tenista tem melhorando suas colocações mês a mês e hoje está classificado entre os 60 primeiros do mundo. Sá planejava ficar, pelo menos, entre os 50 melhores ao fim da temporada 2002.

 

Classificado entre os 60 melhores tenistas do mundo, André Sá é o segundo jogador brasileiro da atualidade, atrás somente de Gustavo Kuerten. Em junho deste ano, o atleta alcançou um resultado espetacular ao chegar às quartas-de-final do torneio de Wimbledon, na Inglaterra. “Foi uma grande conquista, Wimbledon é um campeonato disputado na grama e o Brasil não tem tradição neste tipo de piso. Chegar entre os oito melhores foi algo muito especial e que vai ficar comigo pelo resto da minha carreira.”
Outro ótimo resultado de Sá foi a conquista da medalha de ouro jogando em dupla com Paulo Taicher, no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, em 1999.
Com um contrato de patrocínio recém-assinado com a marca esportiva Diadora até o final deste ano, Sá mantém seu ritmo alucinante de treinamentos e competições. Durante um ano, o atleta chega a participar de 30 campeonatos, o que equivale um torneio a cada dez dias, sem contar o sagrado mês de férias!

Rápida ascensão
Sá iniciou-se no tênis aos oito anos, influenciado pelo irmão mais velho que já praticava o esporte. “Comecei de brincadeira, tendo aulas, só porque queria imitar o meu irmão. Acabei me dando bem e ele parou de jogar três anos depois.”
Aos 13 anos, Sá mudou-se para a Flórida (EUA). Foi treinar na Nick Bollettieri Tennis Academy – escola que já formou alguns dos principais nomes do circuito profissional do tênis mundial e que, atualmente, é o maior complexo de treinamento esportivo do mundo, destacando-se também no futebol, basebol, golfe, hóquei e basquete. O brasileiro permaneceu na escola por cinco anos e aos 18 se profissionalizou. Nesta época, retornou ao País, com o objetivo de jogar os principais torneios nacionais.

Curinga
A experiência adquirida por André Sá no exterior, principalmente no que se refere ao seu desempenhos em quadras rápidas, rendeu-lhe o “título” de jogador curinga da equipe brasileira que disputa a Copa Davis. Por conta do nosso clima tropical, as quadras brasileiras são abertas, ou seja, são todas de saibro (terra batida). Logicamente, nossos atletas acostumaram-se a jogar neste tipo de piso que proporciona uma troca de bolas mais lenta.
Por ter treinado nos EUA, Sá desenvolveu um ótimo jogo adaptado aos pisos rápido e destaca-se entre os jogadores brasileiros por essa característica. “Tenho um estilo de jogo bem diferente. Eles gostam da troca de bola. Sou mais rápido, gosto de subir à rede, sacar e volear, definir os pontos logo. Gosto de pisos rápidos, mas não os indoor (cobertos). Prefiro o cimento, a quadra dura, e nos EUA existem várias.”
Durante as disputas da Copa Davis é que Sá ganha ainda mais destaque. “A gente nem sempre joga em saibro, porque não podemos escolher o piso quando jogamos fora do País. Por isso, é ótimo ter na equipe brasileira um jogador como eu, com o estilo europeu/americano. Nessas horas, eu realmente me torno um curinga!”


Treinos
O local oficial de treinos de Sá (oficial porque suas constantes viagens fazem com que ele acabe treinando a maior parte do tempo fora do Brasil) é Balneário Camburiú, em Santa Catarina. Os treinos diários duram de quatro a cinco horas, divididos em dois períodos: manhã e tarde. Depois, mais uma hora de preparação física, ou seja, exercícios cardiovasculares e musculação. “Mas não é aquela musculação para ficar forte e sim para prevenir lesões. Os músculos de um jogador têm sempre que estar ativos. Faço várias repetições com pouco peso e também exercícios de explosão, levantando pouco peso, mas bem rápido.”
Quem faz toda a programação de treinamentos de Sá é o técnico Marcos Vinícius Barbosa, que trabalha com o jogador há dois anos. “Convidei o Marcos porque estava naquela fase em que você precisa de sangue novo. Fazia três anos que eu não trocava de treinador e já estava entrando numa rotina. Eu e o Marcos nos damos bem, mas é como um casamento! A gente tem liberdade um com o outro, mas também muito respeito e isso é fundamental.”

 
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